Climatologia:
No estudo do clima, é importante diferenciar os conceitos de clima e tempo, constantemente confundidos. O tempo é algo momentâneo, é o estado da atmosfera em determinado momento, ou seja, muda constantemente com o passar das horas. Já o clima é o padrão dos tempos, alguém precisa estudar os tempos de um determinado lugar por aproximadamente 30 anos até achar um padrão, estabelecendo aí o clima desse local.
Diversos fatores influenciam o clima, são eles:
- Latitude: no geral, quanto mais alta a latitude (quanto mais ao sul ou ao norte), é menor a incidência de raios solares, menor é a absorção, maior é a reflexão e consequentemente menor é a temperatura. Por outro lado, quanto mais baixa a latitude (próximo ao equador), maior é a incidência, maior é a absorção, menor a reflexão e consequantemente maior é a temperatura. Isso se dá ao fato da Terra ser redonda: os raios solares incidem sob um ângulo de 90˚ no equador e lá são absorvidos mais facilmente, já nas altas latitudes, incidem sob um ângulo diferente de 90˚, facilitando a reflexão.
- Circulação atmosférica: o ar sempre vai de um local de alta pressão para outro de baixa pressão, por isso sopra de locais com menores temperaturas para locais com maiores temperaturas. Ao se analisar cada trópico separadamente, percebe-se alguns padrões: a célula de circulação de Hadley e a célula de circulação de Ferrel (imagem acima). A célula de Hadley (ventos alísios) sopra de leste para oeste, pois como o ar nas zonas temperadas é mais frio que nas zonas tropicais, a mudança na pressão desses dois locais movimenta o ar. Já a célula de Ferrel sopra de oeste para leste, dos trópicos para o círculo polar.
- Altitude/Relevo: quanto maior a altitude, menor é a temperatura, por causa da baixa pressão (ar rarefeito)
- Correntes marítimas: as correntes marítimas frias correm dos polos para o equador. O ar acima dessas correntes frias é seco (por causa da baixa evaporação) e isso faz com que surjam desertos. Já as correntes quentes correm do equador para os polos. O ar é úmido por causa da elevada taxa de evaporação da água.
- Maritimidade/Continentalidade: são fenômenos que estão relacionados com a proximidade ou distância de um local com grandes quantidades de água. A maritimidade, como o nome já diz, remete a um local próximo à grandes quantidades de água, no geral. Como consequência, esse local é úmido e pouca amplitude térmica (por causa da umidade). A continentalidade remete a um local no "meio" do continente, portanto, longe da água. Essa distância faz com que a umidade seja baixa e a amplitude térmica seja elevada.
- Fator antrópico: é inegável que o homem vêm alterando o clima, seja com a poluição seja com o desmatamento, entre outros.
Massas de ar são porções da atmosfera. Elas são formadas em um local com uma determinadas características climáticas e por onde vão, levam tais características. No Brasil temos 5 massas de ar. São elas: MEA, MEC, MTA, MTC e MPA. A MEA (massa equatorial atlântica) é quente e úmida e age no litoral, no Nordeste e na Amazônia. A MEC (massa equatorial continental) é quente e úmida e age no Norte e no Centro-Oeste (no verão). A MTA (massa tropical atlântica) é quente e úmida e age por todo litoral. A MTC (massa tropical continental) é quente e seca e age no Pantanal. A MPA (massa polar atlântica) é fria e úmida e leva chuva ao Sul-Sudeste e friagem ao Norte e Centro-Oeste.
Fenômenos Climáticos:
- Efeito estufa: esse fenômeno (muito discutido atualmente) é natural e funciona como regulador térmico. O principal gás do efeito estufa é o vapor d'água, que serve para reter temperatura (o calor específico da água é alto e por isso ela é difícil de aquecer e de resfriar).
- El niño: acontece pelo aquecimento demasiado da corrente marítima fria do Peru. Como a água fria é mais densa, essa corrente fria normalmente corre no fundo, arrastando nutrientes e matéria orgânica. Ao chegar à costa do Peru, batia nas rochas e levava nutrientes para a superfície. Entretanto, com o aquecimento da corrente, esse fenômeno (ressurgência marítima) acaba e afeta, principalmente, os pescadores. Além disso leva seca ao Norte e Nordeste brasileiros e e chuvas ao Sul.
- La niña: é o oposto do el niño, ou seja, o resfriamento da corrente marítima do Peru. Leva chuvas ao Norte e Nordeste brasileiros e seca ao Sul.
- Ilhas de Calor: são o agravamento do efeito estufa nas cidades. Essa "amplificação" do efeito estufa é decorrente da grande absorção de calor pelos materiais utilizados na cidade, como concreto, além da poluição e das poucas áreas verdes. Esse efeito é exclusivamente antrópico, ou seja, causado somente por causa do homem.
- Inversão Térmica: esse efeito é natural durante os invernos. O ar frio, por ser mais denso acaba ficando próximo do solo nos invernos, assim retém a poluição e não sobe, pois a camada acima é de ar quente. Isso faz com que a poluição fique retida nas camadas mais baixas da atmosfera. Esse fenômeno é facilmente percebido em algumas cidades.
Domínios Morfoclimáticos:
O clima determina a vegetação de um local e os domínios morfoclimáticos são, justamente, a interação entre o solo, relevo, e principalmente clima com a vegetação local.
- Floresta equatorial: essa vegetação é adaptada à umidez (higrófila), pois o clima no local aonde se instala é quente e úmido (com chuvas o ano inteiro). É muito densa e heterogênea, com elevada biodiversidade. As folhas são largas para aumentar a absorção de luz. Como fica sobre o solo-lixiviado (que é muito pobre em nutrientes), a própria biomassa da floresta se sustenta. Esse solo pobre faz com que a floresta equatorial tenda a se tornar um cerrado. Ela abrange 45% do Brasil, mas 18% de sua área já foi desmatada (principalmente por causa da pecuária, extração de madeira, agricultura e usinas hidroelétricas).
- Floresta tropical: encontra-se na região litorânea do Brasil. Suas características são desenvolvidas como uma adaptação à ação da MTA, que leva calor e umidade a região. É relativamente parecida com a floresta equatorial, visto que ambas localizam-se em ambientes úmidos e quentes. A principal diferença está no solo, que aqui é rico em nutrientes (massapê e terra roxa). Hoje restam somente 7% da área inicial. O desmate ocorreu por causa dos ciclos econômicos (desde a colonização), urbanização e ocupação.
- Floresta subtropical: adaptada ao clima subtropical (4 estações bem definidas), ocupa, principalmente, a região Sul do Brasil. O principal bioma é a mata de araucárias. O desmatamento por causa da madeira e agricultura devastou, aproximadamente, 93% da área inicial.
- Cerrado: o cerrado é adaptado a duas estações bem definidas: a seca e a chuva. As árvores possuem raízes muito profundas para atingirem o lençol freático, casca grossa para evitar a perda e água e proteção, os troncos são retorcidos por causa da acidez do solo. O solo é pobre em nutrientes e há elevada concentração de metais (Fe e Al). Os incêndios servem para limpar e enriquecer o solo, mas os incêndios naturais não ocorrem com frequência. Atualmente restam cerca de 40% da área inicial, principalmente por causa da agro-pecuária e da expansão urbana.
- Caatinga: a vegetação é denominada xerófila, que significa que é adaptada à seca. As chuvas são raras e o clima é semi-árido. Algumas plantas desenvolvem espinhos para diminuir a perda de água. O desmatamento acabou com 50% de sua área inicial (produção de carvão).
- Pradarias (Pampas): reveste a região do Sul do Rio Grande do Sul. O solo fértil e a presença de gramíneas criaram um ambiente propício para o desenvolvimento da pecuária.
- Matas de Transição:
-Mata dos Cocais: está na transição da Amazônia com a Caatinga. Abriga as palmáceas como o Babaçu e a Carnaúba. Elas servem para produção de cera (utilizada em carros de luxo, por exemplo).
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