Romantismo - Prosa:
Anteriormente estudamos a poesia romântica, que tinha como principais características o pessimismo, a morbidez, etc. lembra? Então, a prosa é totalmente diferente. Enquanto a poesia era "escura" e triste, a prosa assume a noção atual de algo romântico, ou seja, irreal, sentimental, entre outros. A prosa acabou fazendo mais sucesso que a poesia por uma série de fatores que veremos mais adiante.
Os escritores buscavam a identidade nacional, por isso valorizavam o povo, a língua e a cultura brasileira. Obs: José de Alencar valorizava muito o tupi, pois para ele o português não era a língua naturalmente brasileira, uma vez que havia sido imposta pelos portugueses. Enquanto a poesia romântica tinha sido escrita por jovens burgueses insatisfeitos com a ascensão burguesa ao poder, a prosa é escrita pelos jovens que gostaram dessa atitude.
O principal objetivo dos escritores é entreter, fazer uma literatura relaxante e leve, por isso utilizam linguagem simples e direta. Além disso a trama se passa na época vivida (para exigir ainda menos raciocínio na compreensão). Eram bem sentimentais, pois o sentimento é algo universal e que, consequentemente, é compreendido por todos. O enredo era "rocambolesco", ou seja, enrolado, cheio de conflitos e complicações, e a finalidade disso é justamente prender a atenção do leitor.
As histórias eram publicadas nos chamados folhetins românticos (um capítulo por edição do jornal) e só depois eram publicadas como livros propriamente ditos. Isso foi fazendo com que fosse criado o hábito que existe até hoje com as novelas. Percebe-se aí que a prosa romântica tem muito em comum com as novelas televisivas atuais em diversos pontos: no enredo, nas personagens planas (sem psicológico desenvolvido), no sentimentalismo, na linguagem simples, etc. Esse foi o verdadeiro legado da prosa romântica.
Podemos dividir a prosa romântica em 5 tipos. São eles: romance urbano; romance regionalista; romance histórico; romance indianista; romance gótico.
Podemos dividir a prosa romântica em 5 tipos. São eles: romance urbano; romance regionalista; romance histórico; romance indianista; romance gótico.
- Romance Urbano: esse tipo de romance retrata de forma fiel o dia-a-dia urbano. Desde ambientes, costumes e cenas da sociedade burguesa da época. Só lembrando que esse tipo de romance se passava, na maioria das vezes, no Rio de Janeiro, por ser o centro urbano da época. Além disso costumava ditar moda (como em uma novela de TV) e fazer algumas propagandas (algumas personagens de José de Alencar compravam um chapéu, por exemplo, em uma loja que realmente existia). Nesse tipo, encaixam-se "A Moreninha", "Cinco Minutos", "Senhora" e "Lucíola".
- Romance regionalista: esse romance explora paisagens e costumes de uma determinada região do Brasil. O objetivo de um romance regionalista é mostrar ao leitor novos lugares, como se ele viajasse pelo país. Alguns exemplos são: "O troco do ipê", "O seminarista", "Til", "Inocência" e "O Cabeleira".
- Romance histórico: a narrativa se passa em um passado histórico, geralmente distante ou lendário, mostrando como era a vida. O pano de fundo é um local não usual e, normalmente, fora da realidade do leitor. Um exemplo é: "As minas de prata".
- Romance indianista: passado, principalmente, em selvas brasileiras, coloca o índio como um herói, uma lenda. Eleva o índio à condição semelhante de um cavaleiro medieval, na Europa. Cria assim heróis nacionais, míticos e lendários. Duas obras desse tipo são: "O Guarani" e "Iracema".
- Romance gótico: o romance gótico encontra-se um pouco deslocado. O motivo é que ele assemelha-se bastante à poesia romântica, pois trata do mórbido, do macabro e do boêmio. Um exemplo é "Noite na Taverna".
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